quarta-feira, 14 de março de 2012

Blog também é vergonha alheia

Queridos amigos, não sou apenas uma cabecinha desmiolada e um corpinho sarado.

Aproveito o blog para divulgar minha nova campanha política "Cê Jura?"...

Divulgue por aí, fica à vontade...

Seguem as fotos, que são auto-explicativas.


































segunda-feira, 12 de março de 2012

"38 anos de aventuras" ou "Picolé de tangerina não resolve tudo"




O blog anda sem ordem cronológica. Por isso a aventura de hoje é a mais recente dessa emocionante vida que levo.

Esse final de semana fiz 38 anos. Além de pintar meu cabelos com mechas californianas ruivas, resolvi comemorar com a família na Estação Natureza, a famosa fazendinha em Vargem Grande.

Os Griswalds foram enfrentar um dia de contato direto com a natureza, onde você come com patos, gansos, marrecos, galos e afins, sentados embaixo da sua mesa.

Bernardo chegou agoniado, querendo ver tudo, alimentou vacas, acariciou coelhos, segurou ovo de avestruz. Minha sobrinha Alice, mais bolada com toda essa história, ficou mais acanhada.

Meu cunhado e Bruno acompanharam as crianças, se comportaram bem.

Gabriel, do alto da sua experiência de vida de 6 meses, não sabia com o que estava mais chocado: com os patos coloridos ou com o cabelo de pica-pau da tia aniversariante. Ele também correu o risco de dividir sua papinha de beterraba com um peru que se chegou tentando amizade com minha irmã.

Bernardo desceu 2 vezes de tirolesa, muito animado, muito feliz. Minha mãe, com a desculpa de estar cuidando de Gabriel, manteve-se quase todo o tempo sentada, tentando manter uma distância segura de qualquer animal.

Num dos momentos mais tensos da tarde, um jumento, que circulava solto pela fazendinha e já havia sido muito simpático com a gente de manhã, chegou perto de uma mesa onde uma mãe comia um salgado com o filho.

Veja bem, ele chegou de leve, tipo dando uma cafungada no pescoço da moça, e logo foi se aproximando da mesa, em direção ao salgado. A mãe chegava pro lado, e ele chegava junto. Algumas pessoas chamavam o animal, mas ele ignorava.

Não sei se vocês me conhecem, mas gosto de ser heroína e também sou muito interativa e amiga dos animais.

Rapidamente tive uma idéia brilhante: cheguei perto do jumento com o picolé de tangerina que estava tomando e resolvi chamá-lo, usando o picolé como isca para que ele me seguisse para longe da mãe apavorada.

Era o plano perfeito. Já podia ouvir os aplausos dos transeuntes, sentir os olhares de admiração das crianças. Quem sabe não ganhava uma medalha de protetora dos animais?

Lá fui eu... cheguei com o picolé pertinho da boca do jumento, chamando por ele... olhares tensos me acompanhavam... o jumento lambeu o picolé e virou-se pra mim... eu senti meu peito encher-se de orgulho, estava dominando a cena, meu controle era total...

Chamei mais uma vez, ele deu mais umas lambidas no picolé, e quando eu achava que ele estava completamente hiptonizado pelo meu magnetismo, ele puxou o picolé da minha mão.... todo de uma vez... com palito e tudo...

E obviamente voltou ao salgado da mãe desesperada. Só faltou responder "valeu pelo picolé, tia, da próxima vez traz de uva".

Os funcionários da fazendinha já estavam chegando e foram tocando o jumento com experiência profissional, da maneira certa (que definitivamente não é usando um picolé de tangerina como isca), enquanto meu coração disparou angustiado eu pensava se o jumento seria capaz de digerir o palito, se ele podia engasgar, e se eu poderia passar de heroína a vilã se o jumento começasse a passar mal na frente de todos.

Fui atrás dos carinhas, tentando explicar que tinha um palito na goela do bicho, mas eles disseram que tudo bem, o animal estava a salvo.

Ah, sim, e que o jumento na verdade era fêmea e se chamava Julieta.




quarta-feira, 7 de março de 2012

Itatiaia 3 - Cachoeiras e Despedidas



Domingo, último dia de aventuras.

Bernardo pulou da cama cedo, perguntando se Miguel já havia acordado. Escovou o dente perguntando se Miguel já havia acordado. Trocou de roupa perguntando se Miguel já havia acordado.

No salão de café da manhã, só sossegou quando viu Miguel, Paula e Marcos chegando.

Fomos passear pelo Parque Nacional de Itatiaia. No carro, aquela bagunça deliciosa de criança brincando, biscoito maisena, briga por bonecos e risadas.

Estávamos muito animados em ver cachoeiras, passear por trilhas, enfim, curtir a natureza extrema. Primeira parada: Maromba... a cachoeira é linda, a vista incrível... descemos por uma escada íngreme, no meio do mato, muito emocionante...

Sem dúvida entrou na lista dos 10 passeios para se fazer antes dos 20 anos na próxima encarnação!!

Afinal, tem que ter disposição. A piscina é linda, mas fria, então resolvemos apenas molhar nossos pés, porque tudo que não queríamos era levar duas crianças resfriadas de volta pro Rio de Janeiro. 

Tiramos fotos, subimos a escadaria de volta e seguimos nosso passeio, certos de que não aguentaríamos mais trilhas ou escadarias nas matas, principalmente porque Miguel ia no colo.

Paula, bem mais aventureira que eu, confesso, nos levou a um hotel abandonado que ela havia conhecido anos antes. Impressionante, um lugar lindo, completamente abandonado, parecia cenário de romance de Stephen King: o parquinho todo tomado pelo mato, uma piscina enorme abandonada, um orquidário destruído.

Próxima parada: Centro de Visitantes, onde tem um museu. Confesso que bichos empalhados me dão muito medo (na categoria palhaço, saca?)... mas fazemos tudo por nossas crianças... o local é legal, mas já era lá pra uma da tarde e a fome realmente nos impediu de admirar  melhor a fauna local.

De volta ao hotel, nosso último almoço, Bernardo ficou em crise depois de se despedir de Miguel, Paula e Marcos. Disse que ia sentir muitas saudades, vocês sabem como ele é dramático. Mas realmente tivemos sorte de conhecer uma família tão legal. (Bernardo inclusive se convidou para ir ao aniversário de Miguel, quase desmaio de vergonha).

No ônibus, ele voltou dormindo, acordou já pertinho da rodoviária. E quem nos esperava lá? Papai, com certeza aliviado de nos ver inteiros, sorrindo e felizes. 

Afinal, viagem com filho é algo totalmente bipolar, maravilhoso, e quando acaba a gente fica ansiosa pra programar outra.

Itatiaia, dia 2 - Feitiço contra o feiticeiro




Bem, lá vamos nós continuar a tentar relaxar num hotelzinho com paz, natureza, pássaros cantando...

Tomamos café, fomos pra piscina. Pra aquecida, claro, porque da gelada Bernardo não queria nem passar perto.

Chegando lá, uma surpresa: o mundo é um ovo, todo mundo se conhece, e você realmente deve ter cuidado com as câmeras de segurança te seguindo enquanto você pensa que Big Brother é coisa de Boninho.

Conhecemos Paula, Marcos e Miguel... conversa vai, conversa vem, descobrimos ter uma amiga em comum! (que bom que não puxei assunto assim: "oi, tudo bem? tenho uma amiga, a Sandra Maia, que é louca, desvairada, chata, boba, feia e tem bafo!"). OK, ela é louca e desvairada.

Bernardo se enturmou com a família Lamego, adorou brincar com Miguel, e eu encontrei mais uma amiga que gosta de conversar, de passear, de invertar moda e arte. Tudo isso descobrimos apenas em uma tarde, porque mulher fala demais e fica logo íntima.

Nesse meio tempo, Bernardo arranha os 2 dedões na pedra da piscina... momentos de tensão... ele não chora, mas resolve que precisamos ir para o quarto porque ele "precisa de cuidados". Sai mancando, falando que "não importa o que você fale, mamãe, eu não vou botar band-aid".

Chegando no quarto, o banho foi um espetáculo de som e fúria. Ele gritava porque ia arder. Veja bem, não estava ardendo. Mas mesmo assim ele gritava porque "vai arder muito, mamãe"...

Coloquei a roupa nele, peguei um pouco de hipoglós sem que ele visse e disse que era um remédio muito bom, ele se acalmou... veio então o momento dramático: disse a ele que teria que colocar um band-aid em cada dedão para assim botar a meia e o tênis e poder correr e brincar...

Foi tenso... uns 10 minutos de gritos... eu resolvi manter a calma e dizer que sem band-aid a gente não ia poder sair, o arranhado ia doer, então ele deveria pensar e lembrar que já havia usado band-aid outras vezes, e tal.

Quando eu achava que o mundo ia se acabar bem antes do combinado, ele resolveu colocar a porcaria do band-aid e fomos almoçar.

Ele aceitou minha sugestão de descansar um pouco depois do almoço, já que havíamos combinado com Miguel e sua família dar um passeio de carro. Bernardo viu Pica-Pau, eu cochilei... acabou o Pica-Pau e ele me chamou dizendo que estava passando um "programa"... quando olho, ele havia mudado para o canal onde passava Raul Gil.

Seu Padre, confesso que pequei...  como mãe preocupada com a formação cultural de meu filho o que eu devia ter feito? levantado da cama, desligado a TV e levado a criança para observar uns pássaros raros...

Mas não... sucumbi ao soninho debaixo do edredon e deixei Bernardo assistir Raul Gil por mais uns 20 minutos enquanto cochilava... por favor, não me denunciem, o ECA deve permitir um ato desse tipo vindo de uma mãe cansada...

Acordamos e fomos para a piscina, e Bernardo disse que não sabia se queria passear porque estava com medo do dedo doer... resolvi então mergulhar na piscina natural, e ele disse que não ia ficar ali me esperando, que queria ir pra piscina aquecida e fez uma pequena cena de birra e tal.

Daí eu resolvo ter uma conversa sobre como não ser egoísta, etc, etc... ele estava respondão, e eu disse que se ele não parasse com a bobeira iria ficar de castigo. Ele não parou com a bobeira. E eu tive que cumprir a palavra e colocá-lo de castigo.

Voltamos para o quarto do hotel, ele rebelde, mas baixando a bola porque viu que ia perder tempo de brincadeira para pensar sobre a importância de ser uma boa pessoa. O caso é: ele ficou de castigo, e eu também. Óbvio, estávamos os 2 sozinhos num hotel, eu tinha que ficar com ele dentro do quarto também. Sem TV a cabo... sem wi-fi...

Como eu havia dito, pensava que iria passar um final de semana relaxante e acabei "me colocando de castigo a mim mesma".

Depois de uma meia hora de choro, ligação para o pai (que estava em casa no Rio de Janeiro e podia apenas torcer para que eu e Bernardo não nos esganássemos num Parque Nacional belíssimo, cheio de beleza e encantos), nos acalmamos e fomos jantar.

E aí percebi que ele tinha ficado de bem, porque me chamou pra tirar várias fotos maneiras pelo hotel, como esta aí no começo do post.

No jantar reencontramos Miguel, e Bernardo já estava íntimo da família, sentou na mesa com eles, brincou de quebra-cabeça, dominó, baralho, tudo ao mesmo tempo.

E fomos dormir animados com o passeio que combinamos para o dia seguinte.

Moral da História? O Raul perguntou, você não acertou, pegue seu banquinho e saia de mansinho!!