segunda-feira, 12 de março de 2012

"38 anos de aventuras" ou "Picolé de tangerina não resolve tudo"




O blog anda sem ordem cronológica. Por isso a aventura de hoje é a mais recente dessa emocionante vida que levo.

Esse final de semana fiz 38 anos. Além de pintar meu cabelos com mechas californianas ruivas, resolvi comemorar com a família na Estação Natureza, a famosa fazendinha em Vargem Grande.

Os Griswalds foram enfrentar um dia de contato direto com a natureza, onde você come com patos, gansos, marrecos, galos e afins, sentados embaixo da sua mesa.

Bernardo chegou agoniado, querendo ver tudo, alimentou vacas, acariciou coelhos, segurou ovo de avestruz. Minha sobrinha Alice, mais bolada com toda essa história, ficou mais acanhada.

Meu cunhado e Bruno acompanharam as crianças, se comportaram bem.

Gabriel, do alto da sua experiência de vida de 6 meses, não sabia com o que estava mais chocado: com os patos coloridos ou com o cabelo de pica-pau da tia aniversariante. Ele também correu o risco de dividir sua papinha de beterraba com um peru que se chegou tentando amizade com minha irmã.

Bernardo desceu 2 vezes de tirolesa, muito animado, muito feliz. Minha mãe, com a desculpa de estar cuidando de Gabriel, manteve-se quase todo o tempo sentada, tentando manter uma distância segura de qualquer animal.

Num dos momentos mais tensos da tarde, um jumento, que circulava solto pela fazendinha e já havia sido muito simpático com a gente de manhã, chegou perto de uma mesa onde uma mãe comia um salgado com o filho.

Veja bem, ele chegou de leve, tipo dando uma cafungada no pescoço da moça, e logo foi se aproximando da mesa, em direção ao salgado. A mãe chegava pro lado, e ele chegava junto. Algumas pessoas chamavam o animal, mas ele ignorava.

Não sei se vocês me conhecem, mas gosto de ser heroína e também sou muito interativa e amiga dos animais.

Rapidamente tive uma idéia brilhante: cheguei perto do jumento com o picolé de tangerina que estava tomando e resolvi chamá-lo, usando o picolé como isca para que ele me seguisse para longe da mãe apavorada.

Era o plano perfeito. Já podia ouvir os aplausos dos transeuntes, sentir os olhares de admiração das crianças. Quem sabe não ganhava uma medalha de protetora dos animais?

Lá fui eu... cheguei com o picolé pertinho da boca do jumento, chamando por ele... olhares tensos me acompanhavam... o jumento lambeu o picolé e virou-se pra mim... eu senti meu peito encher-se de orgulho, estava dominando a cena, meu controle era total...

Chamei mais uma vez, ele deu mais umas lambidas no picolé, e quando eu achava que ele estava completamente hiptonizado pelo meu magnetismo, ele puxou o picolé da minha mão.... todo de uma vez... com palito e tudo...

E obviamente voltou ao salgado da mãe desesperada. Só faltou responder "valeu pelo picolé, tia, da próxima vez traz de uva".

Os funcionários da fazendinha já estavam chegando e foram tocando o jumento com experiência profissional, da maneira certa (que definitivamente não é usando um picolé de tangerina como isca), enquanto meu coração disparou angustiado eu pensava se o jumento seria capaz de digerir o palito, se ele podia engasgar, e se eu poderia passar de heroína a vilã se o jumento começasse a passar mal na frente de todos.

Fui atrás dos carinhas, tentando explicar que tinha um palito na goela do bicho, mas eles disseram que tudo bem, o animal estava a salvo.

Ah, sim, e que o jumento na verdade era fêmea e se chamava Julieta.




Nenhum comentário:

Postar um comentário