segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

esperança e glória


sempre fui péssima em assistir filmes de guerra...


me causam uma dor esquisita, assim como as que sinto quando vejo algo sobre a época da escravidão no Brasil (ou em qualquer outro tempo ou lugar)....


nunca vi "Lista de Schindler", por exemplo, porque o que aconteceu na segunda guerra me assusta "enquanto" ser humano.... me dá medo dos outros seres humanos, daquilo que eles são capazes de fazer.....


um medo mil vezes pior do que o de precisar de um exorcismo, de ser morta por zumbis ou atacada por lobos ou vampiros...... medo da sua própria espécie e do que ela é capaz quando vai pro lado negro da força....


"O Império do Sol", filme de 87 que vi no cinema com 13 anos, é uma história que ronda minha cabeça: como explicar pra uma criança os horrores e maldades que ela vê e vive?


depois dele, conto nos dedos os filmes de guerra que vi....


não assisti "A vida é bela", até prq não engulo aquele italiano pulando nas cadeiras quando ganhou o Oscar, criei antipatia barata com aquela cena, rs,rs,rs


me lembro de assitir criança "E o vento levou" na TV... a cena do cara gritando quando estão amputando a perna me chocou tanto, tanto.... não aparece nada, a gente só ouve o grito de dor.... terror puro e verdadeiro...


e li "O diário de Anne Frank", que também me causou dor e angústia...


vc deve estar se perguntando "e daí?", ou também "queria o quê, achar Anne Frank hilário?"


o fato é que guerra (coisa que está aí, espalhada no nosso mundo hoje) me assusta pela tristeza que causa, pela capacidade de destruição do ser humano pelos motivos mais estapafúrdios e ridículos.......


e estamos assistindo cenas na TV, na internet, nos jornais e revistas, das consequências de um terremoto em um país que viu muita guerra, muita doideira do ser humano....


"o Haiti é aqui", canta Caetano.....


"sijoga" no Google e leia a história desse povo: guerra, guerra, guerra........


hoje eles vivem uma dor causada pela natureza.... imagino como deve ser pra um povo que "se acostumou" a ser destruído pelo próprio homem, ver a destruição causada pela natureza, ou por Deus, ou por alguma força insana que rege esse planeta......


será que é diferente? será que traz outros questionamentos? será que dói diferente?


por quê enquanto esse povo era massacrado pela guerra, durante todos esses anos, não havia tanta comoção pública como há agora?


essa é fácil... assistir guerra no país mais pobre das Américas não deixa muita gente com o c* na mão, "perdoem meu francês"....


entretanto, olhar um terremoto e pensar que "se do nada tremeu tudo lá", é possível que do nada possa tremer aqui também e ser a nossa vez de estar precisando da mobilização do mundo pra sair do terror.... aí o medo é bem real...


é mais fácil o mundo se colocar no lugar de quem está preso sob escombros do que de quem está preso sob a opressão e loucura da guerra......


enfim...


desastres sempre trazem questionamentos, revolta, dor, mas junto vem solidariedade, e talvez essa seja a "lição" a ser aprendida, a moral da História....


o mundo precisa de solidariedade, de carinho com o povo, com a Terra, é urgente abrirmos os olhos de todos, da consciência ir pra um nível superior, igual videogame.....


aprenda com Caê e Gil, tropicalistas maravilhosos:


"Pense no Haiti, reze pelo Haiti" (lembrando que a música foi lançada no disco de 1996......)


Não nos mobilizemos temporariamente, como no Tsunami e no Katrina........ pensemos em como mudar o mundo logo, hoje e pra sempre............




quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

entradas e saídas


Teve uma época da minha vida em que curtia festas de ano novo....


o clima de férias, sair com os amigos, fazer várias coisas diferentes...


esse ano fomos "all together (só os 4)" passar o reveillon no sítio... saímos dia 30, mesmo debaixo de chuva, carro entupido, muita animação.... mato, planta, árvore, natureza extrema.....


Dessa vez resolvi não levar muita tralha, "viajar mais leve", como diria o poema....


levei pouca roupa, mochilinhas básicas...


investi mais no entretenimento, levei DVD/videokê/tapetinho de dança, nossos violões e algumas caixas de brinquedo, que achei que não seriam abertas, tendo em vista que diante do calor que estava fazendo imaginei que meu povo ficaria de biquini e sunga o dia todo...


levei também pijamas curtinhos novos pra toda família, para entrarmos o ano novo numa boa, de roupa nova como manda a tradição.


Quando chegamos, no meio da tarde, chovia cântaros.... "u-hu, que demais, banho de chuva no verão é o máximo!!"


Filhote canino é despachado do porta mala, saindo direto para um maravilhoso jardim de poças e lama....


Filho humano doido pra ir atrás, pergunta:"mãe, a gente trouxe toalha?".... animado mas precavido, rs,rs,rs


nesse clima animado o carro atolou na ladeira, longe da casa... aí eu saí do carro pra abrir a porta da casa, fazendo aquele estilo correndo pela grama, pegando chuva de braços abertos, sentindo o momento!!


O carro continuava atolado, então tiramos filho humano e malas passando pela grama inundada até chegar até a varanda da casa... tudo ensopado, porque eu tinha esquecido o guarda-chuva..


foi divertido, e nesse momento o único tênis que havia levado ficou tão encharcado que não vai secar nem pro carnaval... Bernardo rapidamente foi seco e trocou de roupa, e se jogou nos brinquedos...


aí resolvo secar o filho canino com a toalha, mas como ele estava muito cheio de lama, escovei e sequei com o secador de cabelos (afinal não queria ninguém resfriado...)


nessa percebi que meu cabelo pós banho de chuva estava assustador, aproveitei então pra tentar ajeitar minha franja, por sorte lembrei de usar a minha escova, não a do cão...


Bruno foi ao supermercado, e quando voltou percebeu que o chinelo que havia deixado no sítio estava com mofo... e deste momento em diante, de 10 frases que ele iria dizer, 7 seriam "estou sem chinelo".........


A chuva melhora, chega a dar uma trégua, mas de noite percebemos que vai ficar frio, e eu nem tinha levado casaco pra mim... passaria o feriado todo com uma única camiseta de manga comprida..


A noite chega e Bernardo histérico, brincando enlouquecido, tipo cachorro correndo atrás do próprio rabo....e eu atrás dele, pedindo, implorando pra que ele colocasse o chinelo, o chão tá frio, blá, blá, blá.... e Bruno reclamando que estava sem chinelo.... ficamos nesse debate sobre Havaianas quase até o final da novela das 8...


Filhote canino roncando e o humano capotou de sono depois de ficar umas 3 vezes de castigo, uma delas por querer pular a janela porque não queria o quê? botar o chinelo...


feriado super relax...


No meio da madrugada acordei e fiquei com insônia, resolvi fazer uns alongamentos e ganhei um torcicolo. Bruno acordou e foi até a cozinha, onde se degladiou com 2 baratas usando como arma o chinelo com mofo... aí eu pedi pra ele me fazer um chá, pra ver se eu conseguia dormir, ele se negou porque não entraria num recinto com insetos e baratas "sem chinelo"....


daí a chuva começa a comer solto lá fora, e a luz acaba....


já havia mencionado que estávamos com o telefone mudo?


enfim chega dia 31, meio "lost"...
Bruno trouxe um chinelo novo do supermercado - pra graça de Deus - e eu e filhote humano curtindo um violão, pintando com guache, numa vibe "na rua, na chuva, na fazenda"...
lá estávamos nós, sem luz, sem DVD/TV/rádio, 1 criança insana e 1 cão cheio de lama!


como sinal de que o mundo não havia acabado, o cara veio consertar o telefone, e para nossa alegria lá pelas 5 da tarde a luz voltou...


coloquei um CD de jongo, me amarrei num lençol pra fazer uma saia e Bernardo batucando, dançando, correndo, batendo palmas!!! Bruno seguia com medo que Bernardo estivesse "recebendo" alguma coisa, e nós um pouco receosos porque ao lado do sítio tem uma Igreja Evangélica e eles poderiam aparecer com tochas na mão igual a cena do Shrek no pântano... resolvemos então ser mais discretos nas nossas manifestações afro-brasileiras, rs,rs


depois da sessão de descarrego tomamos banho quente (chuveiro elétrico rules) e pudemos sentar pra nossa maravilhosa ceia de ano novo: o preferido de todos, macarrão com salsicha!!


lá pras 9 da noite, a luz apagou de novo......acendemos velas, pegamos lanternas... canino roncava na cama e filhote humano foi facilmente derrubado com um copo de leite....


aí deitamos os 4 na mesma cama, e entramos 2010 juntos, relax, num silêncio de mato, num cochilo de paz.... apenas prestávamos atenção se os filhotes iriam se assustar com os poucos fogos, mas eles nem tomaram conhecimento depois de um dia inteiro de brincadeira.


foi um reveillon animadíssimo, mas todo ao contrário, todo diferente....

e pensando bem, é como queremos que 2010 caminhe.... em paz, com uma luzinha baixa e tranquilizadora, simples, junto de quem amamos....
e felizes, felizes, muito felizes....
PS: adoro depoimentos piegas/clichê, rs,rs


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"onde vc estava nas 5ªs e domingos da década de 90?"


depois de tantas trocas de presentes de aniversário de filhote humano em plena véspera de Natal, resolvi comprar um presentinho pra mim...


como adoro música e ele também, resolvi expandir sua cultura musical e comprei um DVD dos 25 anos do Olodum e um da Daniela Mercury....


o do Olodum foi um sucesso... 3 tambores espalhados pela sala, mais a bateria, e o pedido de sempre: "mãe, bota uma saia e dança?".....


eu me acabei...."requebra", "I miss her", etc....


aí tocou "Rosa" e eu comecei a chorar... daí minha irmã me liga e pergunta o que está havendo, eu digo que sinto saudades de quando era feliz e as coisas mais simples....


minha irmã ri e Bernardo nem percebe meu momento "drama queen", prq está com um tambor amarrado na cintura entregue ao momento, "feeling the music"...


depois de ouvirmos e dançarmos todo o DVD do Olodum, coloquei o da Daniela Mercury.... meio "performático" demais, ele não gostou muito...


eu continuei me acabando na dança, e quando ele pediu pra tirar o DVD, falei pra ele que ia colocar 1 música que eu gostava muito e ele: "tudo bem, mas depois vou ver desenho"...
(nada mais justo....)


aí começou: "já pintou verão, calor no coração, a festa vai começar..."


que atire a primeira pedra quem não se arrepia quando escuta essa música !!!!!!!!


aí dei tudo de mim, girei, cantei bem alto "eu voooooooooooooooooooou, atrás do trio elétrico, vou", e Bernardo olhando tudo com sua cara crítica....


quando percebi que ele estava quase me mandando ficar quieta, eu comecei a contar pra ele que quando era mais nova dançava muito essa música.... ele ficou meio incrédulo, achando que eu estava enrolando ele pra não botar o desenho...


aí disse que meus amigos dançavam isso comigo, e comecei a citar nomes.... a cara dele foi indescritível.... como quem diz "não, vcs não faziam isso.."....


quando falei que minha irmã também ia, ele não aguentou: "minha tia não dançava isso!!!"


conclusão... ele disse que quer ver....


então vamos fazer uma reunião de lambadeiros pra poder mostrar pra essa nova geração do que somos capazes....


vamos preparar os "cambrês" e as cartelas de dorflex.....


relembrar as coreografias graciosas e meigas do Tchan, e quem sabe, fechar a noite com Beto Barbosa, Kaoma, entre tantos talentos da música baiana brasileira......


pegue sua calça de bali, seu nauru, sua camiseta customizada, sua bermuda jeans desfiada....


prq "enquanto o lambadeiro viver a lambada jamais morrerá"....


quem manda ter filho São Tomé?


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"you see us as you want to see us, in the most convenient definitions..."


ah, a pré-adolescência.....


hoje ela chega lá pelos 7 anos, na minha época era mais tarde...


hoje temos "High School Musical" e "Arranha Montanha", como dizem Bernardo e Alice Cristina...


na minha época tínhamos filmes mais rebeldes, "Dirty Dancing" (nunca vou esquecer como fiquei sem graça ao assistir a esse filme no cinema com meu avô... a galera se acabando no "rala o pinto" e ele morrendo de vergonha)....


Ferris Bueller nos dizia para ir contra o sistema... "Save Ferris"


O karate Kid e seu mestre nos faziam refletir sobre nossa força interior e treinar "passos" de luta.... (pintando a cerca..)


"Os Goonies", que nunca desistiram de seus sonhos, e nos faziam sentir corajosos pra enfrentar tudo e todos, e correr atrás de tesouros e piratas...


ET, que é maravilhoso porque é tão sensível, e mostra o que o amor de um menino pode fazer....


"Footloose" e "Flashdance" faziam com que a gente quisesse enfrentar tudo e todos pela dança, mesmo que fossemos péssimos nisso...


todos sabiam as coreografias, e era o grande momento das festinhas americanas nos plays....


(menino leva bebida, menina leva comida)


"O Clube dos Cinco" foi demais, um dos melhores finais de filme de todos os tempos.... a carta é genial........ choro até hoje quando vejo....


sei lá, tô pensando nisso prq como a música, os filmes que vemos infuenciam nossas cabeças...


e nesses filmes temos sempre adolescentes procurando se afirmar, impor respeito, procurando seu espaço.... e isso me marcou... é como se eu sempre estivesse na luta, tendo que mostrar meu melhor, enfrentar desafios, jurados de dança, tribunais, inspetores de escola, pais repressivos...


e hoje deixo esse meu lado relaxar... a vida nem sempre é tão difícil, as coisas às vezes vem com mais tranquilidade, e cabe a nós aceitarmos isso....


uma visão mais zen, hippie, sei lá....


deixar esse lado pré adolescente que tanto luta, pra deixar chegar uma maturidade que sabe esperar com mais calma, que escolhe melhor as brigas, que precisa se autoafirmar menos...


aprender a "entregar, confiar, aceitar e agradecer", e saber que precisamos estar receptivos ao que a vida nos manda na paz, de boa, sem precisar de muita luta....


são várias coisas, muitas maravilhas, pequenas e grandes, que às vezes meu lado adolescente rebelde não enxerga....
"Don´t you forget about me......."

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Antes de ver o vídeo, que é o máximo, entenda....

eu sou uma adolescente relutante em aceitar os termos de adesão da maturidade....

assisto Glee, uma série sobre alunos do ensino médio de uma escola americana que fazem parte de um grupo de coral, (que no começo do vídeo estão sentados) e do professor que acompanha eles (o cara meio ruivo de cabelo encaracoldao, de camisa branca listradinha, sentado num banco)....

a música abaixo é um clichê (eu odeio clichês), por isso queria te contar a história dessa cena...

os alunos do grupo do coral são os "esteriótipos" americanos de nerds, e todos aqueles que se juntam a eles também são tachados de "perdedores".... e blá-blá-blá

daí eles vão enfrentar nas semi-finais do concurso de corais, um coral de uma escola de surdos....

quando eles descobrem isso, tiram onda, fazem piada, assumem a postura superior estúpida que tantos outros usam contra eles no dia a dia....

"agora os nerds são os outros"....

e aí o grupo do coral de surdos vai até a escola deles se apresentar e encontra um grupo que tá se achando o máximo (repito, o coral Glee está sentado pra assisti-los)....

e aí é aquilo: é óbvio, é clichê, mas é lindo mesmo....

Feliz Ano Novo com mais gente percebendo que não precisa ser superior, sentir-se melhor e mais importante... feliz ano novo com mais gente solidária e tolerante, gente de "boa-vontade"...

contando fadas...

era uma vez, uma história baseada em fatos irreais, como são todas as histórias....

tinha mocinho, bandido, mas ninguém sabia mais quem era quem....

teve mãe virando madrasta e madrasta virando mãe.....

teve princesa que gritou, pediu socorro, jogou as longas tranças, pra logo depois perceber que tinha que arregaçar as mangas e a barra do vestido brilhante e dar uma de caçador, (juntando-se às outras princesas que também, por uma razão ou outra, tinham"caído na real")....

e elas saíram cantando "nós somos os caçadores, e nada nos amedronta, lá, laiá", mesmo que estivessem geladas de medo por dentro.... e perceberam o poder que havia dentro delas....

teve rei que virou príncipe, e não desses príncipes das mocinhas casadoiras, mas príncipe que sofre, pede ajuda, cai, sobe de novo, até aprender que quem é rei nunca perde a majestade, mas que o poder que vicia também mata, de maneira tão triste e devastadora que pode destruir todo seu reino...

na família Shrek tá tudo bem, eles continuam cada vez mais ogros, porém mais fortes.....

no País das Maravilhas Alice não deixa espaço pra ninguém, tá toda poderosa e rainha do funk, igual a tia Josefina, uma fada madrinha super fora dos padrões da sociedade real, que foi expulsa da Associação de Fadas Madrinhas Protetoras da Lei e da Ordem, porque usava seus super poderes pra fazer bagunça e felicidade.....

a vovó da Chapeuzinho continua uma figura, e a gente não entende como pode uma pessoa ser tão insana e ao mesmo tempo porto seguro, "porque o sol derrete a neve e a neve meu pé prende", e é sempre bom ter alguém por perto pra te lembrar disso....

tivemos lutas terríveis, tipo aquela da floresta escura por onde o Principe Felipe passa pra beijar a Aurora... Comensais da Morte rondando a cabeça dos alunos e professores de Hogwarts, numa luta diária contra o Mal...

quem não acendeu seu lado Jedi, nêga, foi pra Lado Negro da Força, cantou pra subir com Darth, saca?

enfim... foi uma aventura....

e ainda não teve fim, o que é mais emocionante e asustador....

prq a gente quer sempre mais.................

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

"sei lá, a vida tem sempre razão"


Hoje acordei pensando em música e infância...


acho que aquilo que ouvimos quando criança ajuda a definir quem somos, o que pensamos, como sentimos, o que vemos no mundo...


minhas influências são incríveis, hilárias e ecléticas...


neta de sergipana e paraense, filha de um goiano e de uma carioca que finge que não gosta muito de música, mas tem uma foto adolescente toda estilosa ao lado do irmão que tocava numa banda (todos tocavam numa banda na jovem guarda)....


esse meu tio, meu padrinho, até hoje fala "e aí, vamos levar um som?", típico roqueiro cinquentão...


eram dele umas fitas K7 que eu ouvia quando era muito pequena, com gravações dos Beatles....


tanto que em cima de uma delas minha mãe gravou minha incrível interpretação de "Coelhinho da Páscoa" ..... os 4 rapazes de Liverpool tocando iê-iê-iê e do nada entra uma voz de criança: "de olhos vêmelhos, de pelo blanquinho".....


comecei minha carreira dividindo um álbum com os Beatles, ok?


Os 4 também me ensinaram inglês, não foi mérito apenas da Cultura Inglesa, na minha pré-pré adolescência..


numa época em que pra conseguir a letra de uma "música internacional" era preciso esperar ansiosamente pela edição da revista "Bizz Letras Traduzidas", eu colocava as fitas dos Beatles e pegava um dicionário de inglês, pra ir decifrando o que aquilo tudo queria dizer, e porque me fascinava tanto...


(vai ser nerd assim na década de 80 mesmo)


depois entendi não só o que eles falavam, mas como conseguiram mudar o mundo...


Ah, sim, voltando à infância, na minha vitrolinha vermelha não saiam os compactos da Cely Campelo ("Lacinhos cor de rosa" era tudo), um da Eliana Pitman cantando carimbó, e um de uma mulher toda vestida de prateado ao lado de um robô que cantava uma música chamada "Automatic Lover", que eu gostava de ouvir em rotação alterada, mais rápida...


graças a internet descobri que o nome dela era Dee D. Jackson.... e que essa música fez parte da trilha sonora de Dancin´ Days (10/07/78 a 27/01/79)


os LPs de Roberto Carlos (paixão de minha avó boleira) têm meu nome escrito na capa com a letra da minha mãe, porque quando a tia da escola pedia pra levar um disco que eu gostasse, quem me acompanhava era o Rei, enquanto meus amigos iam de Patotinhas ou Carequinha...


ainda pequena (lá pra 6 anos), não conseguia ouvir a versão de Roberto para "Acalanto", de Caymmi... eram os primeiros acordes começarem pra meus olhos encherem d´água, então eu pegava o braço da vitrola e com cuidado ia pra outra música...


isso acontece ainda hoje, acreditam?


em 79 "Meu querido, meu velho, meu amigo" foi lançada, e lembro da imagem na TV de Roberto Carlos abraçado com o pai velhinho, e que isso também me deixava emocionada...


não preciso nem dizer que quando eu morrer quero que escrevam "Emoções" na lápide, rs,rs,rs


Teve a deliciosa fase baiana de Vinicius, que eu amava.... era uma delícia, e eu cantava aquilo com uma propriedade, entendendo cada "filosofada", cada verso, lições de vida em forma de música, exaltações a vida...


um exemplo mais conhecido? "Samba da Benção"..... (e ponto,né?)


me lembro de gostar de dançar rodando o refrão de "Tonga da Mironga do Kabuletê"....


lembro da capa de um disco de 77, "Vinicius/Toquinho", que tinha uma foto de 2 mãos dadas como se fosse uma figa, e aquilo me dava agonia....


mas tinha a música "Se ela quisesse", que eu amava.... e sempre que ouço tenho aquela vontade carnavalesca de abrir os braços e sair dançando...


nesse disco tem também "O filho que eu quero ter", música que me faz cair em prantos até hoje... e que mostrei quando adolescente pra um amigo/irmão, que também chorou, e a pouco tempo realizou o sonho de ter o tão sonhado filho...


Aí tem o fato de ser descendentes de goianos.... você cresce ouvindo não só as famosas duplas, mas modas de viola que são de uma poesia linda, uma "tristeza do jeca" real, dolorida do sertanejo...


músicas sofridas que fizeram minha alma de criança entender que a vida não era feita só de brincadeiras....


teve a fase dos musicais infantis maravilhosos da Globo, super conhecidos.... música pra criança feita por gente talentosa, incrível, não preciso nem comentar o que significa ter 2 volumes de "Arca de Noé" na sua vida.... o primeiro em 80, o outro em 81, depois de Vinicius morrer (adoro minha intimidade com a pessoa, rs,rs,rs)....


e Balão Mágico, que ganha uma menção honrosa, até porque fez a gente refletir o que o destino faz com as pessoas "famosas"...... e o que essas pessoas fazem com a fama que chegou tão cedo (algumas engravidam no Carandiru, mas quem sou eu pra julgar, rs,rs,rs)


Nisso lá pra uns 10 anos surge um amigo "figuraça" do meu pai que cantava pra gente as músicas mais esquisitas... (Amarante é testemunha).... ele cantava Vicente Celestino (acreditem, "O Ébrio" é uma das mais alerges, rs,rs,rs)....


a que eu mais gostava era uma bem "romântica" em que a amada dizia ao "campônio" pra provar seu amor por ela pedindo que ele arrancasse o coração de sua própria mãe (a sogra devia ser uma pessoa gracinha, mesmo)....


o amigo figuraça gritava: "rasga-lhe o peito, demônio, tira do peito sangrando da velha mãezinha o pobre coração", com voz de filme de terror, e a gente gargalhava...


e também tinham meus parentes goianos que gostavam de cantar "Churrasquinho de Mãe", cujo título é meio auto-explicativo... acho importante pra pessoa juntar caquinhos e levar pra terapia, rs,rs,rs


uma dica: sijoga no Google e no Youtube, busca algumas dessas coisas que são hilárias!!!!


como eu disse, o que um criança escuta influencia bastante sua vida, inclusive sua sanidade mental e bom humor, rs,rs,rs...............


beijos musicais...........